28 março 2007

Lendo e remoendo

Chris Anderson e o post copyright

Música numa economia de abundancia, que ele sintetiza assim:"dê a música e venda o show".



Estamos tentando perceber o que de fato acontece, mas ainda é cedo para transformar a realidade, ainda são "intuições", todo mundo tem seu palpite, uns racionalizando, outros angustiados.



Conversando com Mauricio Tagliari, na saida de uma reunião da ABMI, não conseguimos ter uma visão simples em comum. Ele pensa como músico, quer que jamais se abra mão do valor que tem o estudo, a carreira musical, o investimento que se faz para chegar numa obra. Não posso discordar, mas quem determina este valor, que critério? Como não cair nas malhas dos monopolistas de plantão, que querem pagar centavos pela autoria de um ringtone que é vendido por centenas de vezes mais? Como evitar que conversas como Creative Commons, economia do tecnobrega do Pará ou discursos sobre arte livre não criem exatamente a noção de "ausencia de valor", que é mais facil, mais romantica que uma conversa não muito intuitiva sobre o valor das coisas que "não custam nada", esta maldição do faraó que cai sobre tudo que é internet.



Eu me entusiasmo pelo avanço da discussão, é possivel pensar em reformar, dar um upgrade, uma levantada no conjunto de normas, práticas que foram juntadas a demandas da ABPD , leia-se o grande mercado da música e se transformaram nas leis que ai temos. E ficamos enredados, sem poder se mexer a não ser em terreno minado, defendido pela lei. Quer um exemplo, nos anos 70 ainda havia um recurso muito interessante, fruto de decadas de dores de cabeça, que era colocar-se as letras "DR" no rótulo do disco numa música que não tinha sido possivel conseguir a autorização. Direitos Reservados, se aparecer o dono eu pago. Hoje é crime fazer isto, nem pensar.



A reunião da ABMI tem todo um cenario de desespero e desamparo perante a falta de lógica que as pessoas que querem trabalhar a música encontram, é de arrepiar. Dificuldades para conseguir dialogar com os editores, donos das autorias, que pretendem receber dos que se apresentam para pedir autorizações, mas não pretendem facilitar em nada a burocracia ou a administração dos milhares de microtransações que acontecem num mercado de varejo, de poucas vendas grandes, no atacado.



É preciso pensar em reestruturar, como uma empresa que precisa se refazer para sobreviver.

Estamos no ramo de oferecer música aos que querem ouvir música, intermediar, facilitar, orientar, escolher, recomendar, apontar, divulgar, levar e trazer, este é o percurso do mercado. Há lugar para todos os intermediadores, facilitadores etc etc etc

Mas não é mais como já foi - mas a as leis são daquele tempo do mercado organizado por meia duzia de empresas, com acesso administrado à midia de massa e aos meios de produção - estudios, fábricas e as estrelas. Já era - estamos precisando reestruturar, mandar embora os funcionarios que perderam a função, despedir os que não se adaptam, reinvestir tempo e dinheiro em outras coisas que farão o trabalho anterior de outra forma, mais moderna, mais ao gosto do mercado, mais eficientes.

Uma empresa de onibus que investe em aviação, e dá certo. É mais ou menos por ai.

Mas como explicar para meus colegas do CD que é necessario discutir onde estão os valores hoje? Eu não sei, mas é preciso indagar e soltar rojões se alguem diz alguma coisa *diferente*. Porque sabemos que será *diferente*, terá de ser, assim caminha tudo. Terá pirataria no mundo? Ou terá deixado de ser pirataria? A tecnologia facilita a entrega do conteudo, porque não facilita a administração do conteudo? Porque os provedores de internet não são convocados para conversar? Porque não tem ninguem ainda falando disto de forma que eu e voce consigamos ouvir? E viva a era post-copyright, mesmo que seja só para comemorar mais um meme.

24 março 2007

Post-Copyright Era - Foi aqui que voce viu primeiro.

Acabei de ver no Michael Geist.

Ontem teve um painel na McGill University, com varias cabeças pensantes num debate aberto sobre reforma nos direitos autorais. Debate de alto nivel, presente o professor Fisher. O resumo é que o mundo precisa de uma nova forma de "patrocinar" os direitos autorais, uma vez que o direito de cópia já não faz sentido nem é respeitado. Novas industrias que necessitam de música, como transmissão de conteudo pela web, radio por satélite - e eu incluo os celulares - poderão ser o apoio á musica, alem de dinheiro público, do governo.



Já não era sem tempoque se enunciasse as palavras mágicas: "Post-Copyright".





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22 março 2007

Radar do Auditorio Ibirapuera

Se voce quer saber mais sobre o Auditório Ibirapuera e sua programação, visite o http://www.auditorioibirapuera.com.br assim tudojunto.



Mas quem foi ver Yamandu e Hamilton neste fim de semana pode ter visto o inicio de uma era, o poder do amor pela musica, a tecnica servindo a sensibilidade, o Belo, enfim, quem viu viu. Agora só depois.



E teve também o Bela Fleck, quarteto de feras, com um surpreendente fã clube que viajou de longe para ve-los nas duas sessões.



Os aplausos deste fim de semana pareciam gols e ficarão ecoando um tempo na sala.



O Tom Zé vem ai, só sexta e sábado e recomendo para quem precisa enxaguar a mente, e quem não precisa?





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08 março 2007

satori no tempo

Há varias maneiras de se conectar com o universo, uma delas é saber a hora certa.
Depois de acuradas medições, cheguei aos seguintes resultados, que indicam dificuldades em alcançar o satori por este caminho.

o relógio do celular TIM está 2:29s atrasado sobre zulu time, greenwich, GMT
o computador pode estar sincronizado com GMT, típico
o relogio do metro esta 23 segundos adiantado sobre GMT
o meu casio está 13 segundos na frente do metro, portanto 36 sobre GMT

28 fevereiro 2007

DRM ainda vivo.

Já lá se váo duas semanas e ainda estamos tentando ler as entrelinhas na mensagem de Jobs sobre DRM. Dois pontos interessantes conseguiram chamar minha atenção: o primeiro é a constatação que o DRM da Apple não sustenta qualidade igual ao CD (lossless), e isto começa a ficar audivel à medida que se disseminam outros usos do iPod, já que o mp3 do iPod soa razoavel no fonezinho de ouvido, mas perde pro CD na hora que se liga no som bacana da sala , veja na Wired.



Outro ponto interessante foi levantado no Register. Todo mundo já sabia que DRM não era bom e agora pode não estar sendo bom pro Jobs. Até ai tudo bem, mas aquele argumento da segurança para não poder licenciar o DRM Apple e portanto criar compatibilidade com todas as marcas de players, este argumento não cola porque a Microsoft licencia amplamente seu sistema de DRM e isto tem funcionado. A Apple talvez não tenha prática em licenciamento de suas tecnologias, nenhuma prática.



Sempre é bom ir conferir o blog do Professor Lessig, ele também deu seu palpite sobre o assunto "Jobs on DRM", provocativo e ao ponto, sugerindo que a Apple começe a colocar arquivos sem DRM, atendendo a pedidos dos artistas donos de suas obras. No momento estes pedidos são negados.



No mais, os de sempre exigem a permanencia do DRM.

A EMI desistiu da idéia de conseguir um dinheirinho extra, já que queria receber adiantamentos das lojas de download para liberar seu DRM. É óbvio que ninguem quis pagar pelo falso privilégio.





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25 fevereiro 2007

MS: multa de 1,5 BnUSD traz alternativas ao mp3?

Interessante matéria na Wired levanta possibilidades de se procurar alternativas ao mp3 no universo open source, eventualmente o formato Ogg poderia ser uma alternativa.



No inferno de Dante onde moram os advogados litigiadores não há sossego nem mesmo no open source, já que podem achar agum link entre o código escrito no tempo do Bell Labs e qualquer peça de software que veio depois, incluindo o google desktop...



Um analista comenta que esta errado o principio da reclamação da Lucent sobre Microsoft, que pagou ao laboratorio Fraunhoffer 16 mi USD para licenciar o ripador mp3 do Media Player 9 portanto Lucent deveria estar enviando a conta para Fraunhoffer.



Talvez tudo se resolva com uma liberação geral, já que não faz sentido ir buscar ressarcimento - mais uma vez - com cada um dos usuarios de mp3.







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