quinta-feira, 26 de junho de 2008

Noticias interessantes e frescas.

Alinhando quatro itens destes ultimos dias, sem muita pesquisa, neste meu caderno a céu aberto:

1)A IFPI confessa que o volume de faturamento da industria em 2007, incluindo ai queda de mais 15% no CD e crescimento de 40% do digital, caminha para ficar igual ao faturamento de 1980, 28 anos atrás. Em breve será igual a 1960, e depois 1950...

2)A loja iTunes comemora 5 bilhões de downloads em cinco anos. Simplificando a conversa, a curva de crescimento estabilizou em algo como 1 bilhão de downloads por semestre. Se fossemos converter em CDs, ou LPs, sendo ironicos já que os mercados se aproximam, estamos em cerca de 166 milhões de CDs ou LPs por ano no iTunes, que era o tamanho do mercado americano em meados da decada de 60...Dizem que hoje o iTunes é 3% do faturamento global, nunca houve um vendedor com esta potencia.

3)Eles que se entendam: e agora nos USA querem que o radio pague os interpretes, desde sempre considerados beneficiarios da divulgação, e já chamam o radio de pirata por não querer pagar.

4) Para minha profunda satisfação - eu não disse! - circula hoje no Digital Music News uma nota do Andrew Orlowski que passa bem por analista da industria e deve ser acompanhado de perto também no TheRegister.com. Na nota ele descreve um estudo de uma universidade inglesa sobre o que a molecada realmente quer. Não dá outra, queremos música sem amarras nem bloqueios, que possa ser recomendada, mostrada, distribuida pela familia e amigos, sem limites de quantidade nem de tempo, descrevendo a música da mesma forma que é conseguida nos P2P. Mais ainda, todos pagariam algo suficiente para remunerar os artistas e autores, em uma taxa mensal acessivel e significativa. Somos unanimes em dizer que levariamos a nossa discoteca ou musicoteca, como primeira escolha no teste da ilha deserta, é o nosso bem mais querido. Mas quando se coloca uma noção de valor em jogo, fica muito confuso quanto vale em dinheiro esta coleção, não há um valor monetario sendo associado à musica , claro, cada vez mais desvinculada de produto , fruto da cornucopia.
O melhor da história é que esta conversa esta vindo á luz durante um encontro muito profissional chamado London Calling, - que não faz parte do circuito que os brasileiros frequentam, nem mesmo o nosso ministro Gil. No London Calling deste ano, com presença de muitos figurões da industria e mais uma leva de poderosos dos provedores de internet e das telecoms, está se fazendo uma conferencia rápidamente em função de ameaças formais do governo ingles de interferir na industria fonografica, da música gravada, nas sociedades autorais e nos negócios de distribuição digital, criando uma regulamentação, uma lei poderosa, para eliminar - esta é a palavra - a pirataria como problema. "Somos crianças perante uma lei" dizem eles, indefesos e obrigados a seguir seja qual for o modelo que vier a ser adotado. Duas correntes neste momento disputam o pareo dos palpites. Ou uma regra das "tres pisadas", na terceira voce esta fora da internet, depois de uma advertencia e de uma pequena multa por infringir a lei do não por a mão no que não é seu, não bulir com cópias de músicas, uma lei severa que moralize a suruba. A outra linha é cobrar um pedagio e liberar tudo, como querem os clientes da cornucopia. Em ambas alternativas a industria tem que rebolar muito para acompanhar a dança. O que se procura é ver se sai alguma outra formula de consenso a partir do London Calling. Não estamos prontos, digo eu... O Juliano Polimeno postou a pesquisa original e a sua leitura é , no minimo, estimulante.

5) Como item extra, sai no Globo, só para assinantes, uma nota dizendo que ministro Gil em NYC quer que se aplique o "canone digital" - que raios é esta definição? (é do modelo espanhol??) - uma taxa sobre mp3 e mp4 players, celulares, HDs e demais hardware que carrega música ou conteudo. Talvez o nosso melhor ministro não esteja tão bem assessorado alem da dialética. Caso ele tenha tempo de me ler, não dá mais para ir buscar este "canone" vindo diretamente dos ultimos anos do século passado, onde os dispositivos físicos ainda eram importantes e tinham origem controlada, eram taxaveis. Ministro amigo, na rua Santa Efigenia estes dispositivos são vendidos a 30 reais o Gigabyte, e cabem dois dentro de uma caixa de fósforos, também são frutos da cornucopia digital. Literalmente, falta pouco para serem fundidos e multiplicados no quintal de casa, no Realengo, no Rio Vermelho ou na Moóca, como já o são os CDs e as bolsas Luis Vuiton. Se for isto, ficamos na taxa para o celular e o laptop, para os PCs de marca e para quinquilharia cara das lojas de rede, e como sempre, será incentivo da melhor espécie para os nossos atuais fornecedores a preços decentes e origens nem tanto. Ministro, aproveite a ida e veja se conversa com seus colegas ai, o pessoal do Canadá está botando pra quebrar a louça, aderiram ao modelo tres pisadas, mas com uma certa folga para quem não comercializa, mostrar músicas ou filmes para os amigos não é crime. Os franceses talvez sigam esta linha, os ingleses estão falando grosso e empurrando a industria para o dialogo. Venha com idéias para tocar fogo no circo, a lona está velha, furada sem conserto, com todo o respeito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sua opinião é bem vinda.